O amor…

Publicado por Regina Volpato em 30 ago 2010 | Sob: Corrente do Bem


Sugestão: Ingrid Souza e Dax.

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Como esquecer um grande amor
Anna Bárbara de Sá

Nestes novos tempos, em que as
famílias se diminuem e que a
saudade tornou-se regra, virou moda o medo da solidão.
De qualquer solidão.
Ninguém mais quer estar sozinho,
sempre transferindo a mágica
porção da felicidade ao outro.
Por vezes estive só, mesmo que
acompanhada.
Não foi nada além de boas tardes.
E hoje, neste instante, em que não
sinto nada passional, tenho a
ligeira impressão de que reconheço
a integridade. A minha integridade.
Esqueçam essa tal dor de amor que
lhes arrebata o peito.
Vou-lhes contar um segredo, vocês
não precisam de ninguém,
ninguém nasce ao meio.
Uma dica: parem de procurar pela
ilusória metade perdida, e se olhem
no espelho.

Do blog La Raspa del Tacho

A Mulher do Anacleto (Lima Barreto)

Publicado por Regina Volpato em 23 ago 2010 | Sob: Corrente do Bem



De
LB 1

Lima Barreto:

A Mulher do Anacleto

Este caso se passou com um antigo colega meu de repartição.

Ele, em começo, era um excelente amanuense, pontual, com magnífica letra e todos os seus atributos do ofício faziam-no muito estimado dos chefes.

Casou-se bastante moço e tudo fazia crer que o seu casamento fosse dos mais felizes. Entretanto, assim não foi.

No fim de dous ou três anos de matrimônio, Anacleto começou a desandar furiosamente. Além de se entregar à bebida, deu-se também ao jogo.

A mulher muito naturalmente começou a censurá-lo.

A princípio, ele ouvia as observações da cara-metade com resignação; mas, em breve, enfureceu-se com elas e deu em maltratar fisicamente a pobre rapariga.

Ela estava no seu papel, ele, porém, é que não estava no dele.

Motivos secretos e muito íntimos talvez explicassem a sua transformação; a mulher, porém, é que não queria entrar em indagações psicológicas e reclamava. As respostas a estas acabaram por pancadaria grossa. Suportou-a durante algum tempo. Um dia, porém, não esteve mais pelos autos e abandonou o lar precário. Foi para a casa de um parente e de uma amiga, mas, não suportando a posição inferior de agregada, deixou-se cair na mais relaxada vagabundagem de mulher que se pode imaginar.

Era uma verdadeira “catraia” que perambulava suja e rota pelas praças mais reles deste Rio de Janeiro.

Quando se falava a Anacleto sobre a sorte da mulher, ele se enfurecia doidamente:

— Deixe essa vagabunda morrer por aí! Qual minha mulher, qual nada!

E dizia cousas piores e injuriosas que não se podem pôr aqui.

Veio a mulher a morrer, na praça pública; e eu que suspeitei, pelas notícias dos jornais, fosse ela, apressei-me em recomendar a Anacleto que fosse reconhecer o cadáver. Ele gritou comigo:

— Seja ou não seja! Que morra ou viva, para mim vale pouco!

Não insisti, mas tudo me dizia que era a mulher do Anacleto que estava como um cadáver desconhecido no necrotério.

Passam-se anos, o meu amigo Anacleto perde o emprego, devido à desordem de sua vida. Ao fim de algum tempo, graças a interferência de velhas amizades, arranja um outro, num estado do Norte.

Ao fim de um ano ou dous, recebo uma carta dele, pedindo-me arranjar na polícia certidão de que sua mulher havia morrido na via pública e fora enterrada pelas autoridades públicas, visto ter ele casamento contratado com uma viúva que tinha “alguma cousa”, e precisar também provar o seu estado de viuvez..

Dei todos os passos para tal, mas era completamente impossível. Ele não quisera reconhecer o cadáver de sua desgraçada mulher e para todos os efeitos continuava a ser casado.

E foi assim que a esposa do Anacleto vingou-se postumamente. Não se casou rico, como não se casará nunca mais.




Lima Barreto (1881-1922)
foi jornalista e um dos mais importantes escritores brasileiros.
Para saber mais, clique aqui e aqui.

Fonte: dominiopublico.com.br

Solidão contente, por Ivan Martins

Publicado por Regina Volpato em 16 ago 2010 | Sob: Corrente do Bem


O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas


Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.
Continua

Página fonte: Revista Época

Ivan Martins
É editor-executivo de ÉPOCA

A complicada arte de ver,
por Rubem Alves

Publicado por Regina Volpato em 09 ago 2010 | Sob: Corrente do Bem

A complicada arte de ver
Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria!
Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.
De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.
Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.
Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.

“Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.

Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.
Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

Rubem Alves – Educador e escritor.
Texto originalmente publicado no caderno “Sinapse”, jornal “Folha de S. Paulo”, em 26/10/2004.

O que é aquilo

Publicado por Regina Volpato em 02 ago 2010 | Sob: Corrente do Bem

Sugestão: Daiane Braghin.

Mumuru,
a estrela dos lagos

Publicado por Regina Volpato em 26 jul 2010 | Sob: Corrente do Bem

Mumuru, a estrela dos lagos

Maraí, uma jovem e bela índia, muito amava a natureza. À noite, ficava a contemplar a chegada da Lua e das estrelas. Nasceu-lhe, então, um forte desejo de tornar-se uma estrela.

Perguntou ao pai como surgiam aqueles pontinhos brilhantes no céu e, com grande alegria, veio a saber que Jacy, a Lua, ouvia os desejos das moças e, ao se esconder atrás das montanhas, transformava-as em estrelas. Muitos dias se passaram sem que a jovem realizasse seu sonho. Resolveu então aguardar a chegada da Lua junto aos peixes do lago.

Assim que esta apareceu, Maraí encantou-se com sua imagem refletida na água, sendo atraída para dentro do lago, de onde não mais voltou. A pedido dos peixes, pássaros e outros animais, Maraí não foi levada para o céu. Jacy transformou-a numa bela planta, ganhando o nome de Mumuru, a vitória-régia.

Lenda Indígena – Sem Autor
Extraído do site Desvendar

vregia

Vitória Régia.

Percussão com o corpo

Publicado por Regina Volpato em 19 jul 2010 | Sob: Corrente do Bem

Sobre o Barbatuques, aqui.

Ausência,
Carlos Drummond de Andrade

Publicado por Regina Volpato em 12 jul 2010 | Sob: Corrente do Bem

Ausência
Carlos Drummond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Assinatura Carlos Drummond 1


Astronomia e Arte

Publicado por Regina Volpato em 28 jun 2010 | Sob: Corrente do Bem


VanGogh1


A pintura acima, A Noite Estrelada (The Starry Night) produzida por Vincent van Gogh em 1889, foi inspiração para a canção “Starry, Starry Night” de Don McLean.


Você pode ver aqui a letra de “Starry, Starry Night”, com tradução. Abaixo, um vídeo com a música e os trabalhos de van Gogh, incluindo a pintura A Noite Estrelada.



Do blog:

AstroPT, um projeto de astronomia em Portugal.

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Os comentários voltarão as ser moderados
depois do dia 11 de julho.
Beijos,
Regina

Mas que nada

Publicado por Regina Volpato em 21 jun 2010 | Sob: Corrente do Bem

Mas que nada
de Jorge Ben Jor
com Perpetuum Jazzile


Futebol como “chave”
de uma vida saudável

Publicado por Regina Volpato em 14 jun 2010 | Sob: Corrente do Bem


Futebol como “chave” de uma vida saudável

Universidade do Porto integra projeto dinamarquês para investigar
o potencial desta prática desportiva na saúde

Por Carla Sofia Flores

41733 1 A prática de futebol não é direcionada apenas a profissionais, sendo vista como algo que proporciona momentos de lazer e diversão a todos aqueles que gostam de dar uns “toques na bola”. No entanto, um projeto de investigação iniciado na Dinamarca, mas que alberga vários países, inclusive Portugal, pretende ir mais além e averiguar os benefícios do ”desporto rei” em vários campos da saúde.

Neste sentido, a Universidade do Porto (UP), nomeadamente através das faculdades de Desporto (FADEUP) e Medicina (FMUP), vai colaborar com duas investigações que pretendem avaliar a prática de futebol recreativo como meio de combate ao sobrepeso e obesidade de crianças e jovens entre os oito e 18 anos e como meio de diminuição dos fatores de risco de doenças cardiovasculares de indivíduos adultos sedentários do meio empresarial. Continua .

Página Fonte: CiênciaHoje

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Morreu o Premio Nobel da Literatura

José Saramago

18 de Junho de 2010

saramagoespecial1 1

Ocidente “made in China”

Publicado por Regina Volpato em 07 jun 2010 | Sob: Corrente do Bem

Ocidente made in China
Clonar os países mais ricos do mundo em seu território. É a mais nova receita chinesa para construir cidades ao gosto das empresas estrangeiras e, mais ainda, dos próprios chineses
por Maurício Horta


Sinos badalam na torre de uma igreja gótica. Mas não são sinos. A melodia vem de alto-falantes instalados lá em cima, com um timbre de secretária eletrônica. Sigo em frente até a curva da viela, onde as únicas pessoas à vista são estátuas de bronze e guardas de segurança vestidos de vermelho. Lá, um prédio de estilo georgiano, do século 18, surge em frente a um outro, vitoriano, do século 19. Dentro deles, nada, apesar das placas “Record Shop – classical jass (sic)”, ou “Public House – open all day – excllent (sic) hot and cold food”. Bate-se nas paredes e, no lugar do som seco do mármore ou do concreto, um ruído oco, redondo, falso. Made in China.
Thames Town fica em Songjiang New City, um município feito para abrigar 300 mil habitantes, construído 30 quilômetros a sudeste do centro de Xangai. Até 2020, 400 novas cidades deverão surgir na China para abrigar 300 milhões de pessoas que deixarão o campo para embarcar na China moderna. Mas Songjiang New City não é para elas. Seguindo a onda de países mais desenvolvidos, as grandes cidades da China estão ganhando cada vez mais subúrbios, para que os novos-ricos locais e os homens de negócio estrangeiros gastem nas calmas periferias as fortunas que ganham no centro.
Nesse país-canteiro-de-obras, onde a indústria da construção civil responde por 7% do PIB, condomínios fechados não bastam – são necessárias novas cidades inteiras. Em 2001, o governo de Xangai lançou o programa One City, Nine Towns (“Uma Cidade, 9 Municípios”) com o objetivo de aliviar a pressão populacional do centro. Nove centros urbanos, com capacidade total de 500 mil habitantes, estão sendo construídos num raio de 40 quilômetros da metrópole à beira do rio Yang Tsé. Agora começam a sair os primeiros. E a China, que já era parque de diversões de arquitetos internacionais, está virando o SimCity dos urbanistas.
SimCity? Ele mesmo: o game em que o jogador planeja e governa cidades. O pessoal envolvido com o projeto trabalha como se estivesse jogando SimCity. Nesse jogo você pode instalar construções famosas, como o Big Ben, a Casa Branca e a Torre Eiffel, nas cidades que constrói. E o projeto One City, Nine Towns segue exatamente essa linha: Songjiang é uma cidade inglesa; Anting, alemã; Luodian, sueca. E assim por diante
Continua

Página fonte: Revista Superinteressante


Morar bem,
por Sylvio E. de Podestá

Publicado por Regina Volpato em 31 mai 2010 | Sob: Corrente do Bem


Morar bem para mim é:



Poder desfrutar do urbano em um ambiente calmo, com vista para o sol e a lua. Poder sair à rua e encontrar vizinhos e amigos. Cumprimentar o lixeiro, a formiguinha, o carteiro. Ir a padaria e discutir o jogo do campeonato, notícias boas e más do fim de semana. Roubar muda do jardim e pendurar conta no bar.


Ter mesa marcada com os amigos do repiauer e discutir bobagem, fórmula um, bush e outros games. Dizer que prefere o bem-te-vi e não o pardal. Que as amoras sujam o passeio anunciando boa safra e as mangueiras já começam a florir. Por tela no telhado porque os abacates manteigas estão quebrando as telhas. Saber no sinal que já é época de caqui. Aprender qual ônibus que vai para o centro e que dia de feira é quarta.


Preferir a original com salada de tomate e pastel de queijo. Ver do trabalho o barulho dos meninos chegando e saindo de casa. Ver a rua e o céu, as flores roxas do bairro que se abrem em primaveras e quaresmas.


Sentir o cheiro dos temperos quando se iniciam os almoços e pensar que a casa precisa de uma pintura, uma apara nos cactos do jardim e adubo para o pé de acerola -estão caindo muito.


Colocar em ordem certa os santos que dão nome às ruas que arrodeiam e protegem a Leopoldina esquina com Cristina, o cruzamento mais feminino da cidade.
Ligar para os compadres e padrinhos pra dizer que vai ter churrasco, prometer que este ano vai de qualquer jeito a Oktuberfest e praia na Bahia.
Matar o aniversário de sábado à noite, afagar o cachorro, beijar a mulher e dormir assistindo TV.

Sylvio Emrich de Podestá, arquiteto

O Peixe (Patativa do Assaré)

Publicado por Regina Volpato em 24 mai 2010 | Sob: Corrente do Bem

O Peixe
Patativa do Assaré



Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!



Patativa do Assaré
* 05/03/1909 – † 08/07/2002
Mais sobre o poeta aqui!

Fonte: Revista Agulha/ Jornal de Poesia

James Cameron:
antes de Avatar…um garoto curioso

Publicado por Regina Volpato em 17 mai 2010 | Sob: Corrente do Bem




Com seus filmes de alto orçamento (e faturamento ainda maior) James Cameron cria mundos fictícios totalmente únicos. Nesta apresentação pessoal, Cameron nos revela sua fascinante infância – desde a leitura de ficção científica até a prática de mergulho profundo – e como essas experiências levaram ao grande sucesso de seus campeões de bilheteria “Aliens”, “Exterminador do Futuro”, “Titanic” e “Avatar”.

*** Para assistir com legendas, clique em “View subtitles” e escolha o idioma. ***


Eros e Psique

Publicado por Regina Volpato em 10 mai 2010 | Sob: Corrente do Bem

De
fpcaricatura 1 2
Fernando Pessoa:

Eros e Psique


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Página fonte

rpipoca

erosepsique


Como Eros, o cupido e seu grande amor,
a mortal Psiquê, se conheceram.
História de origem grega.
Para ouvir clique aqui.

Claude Debussy – “Claire de Lune”

Publicado por Regina Volpato em 03 mai 2010 | Sob: Corrente do Bem



Claude-Achille Debussy

(Saint-Germain-en-Laye, 22 de Agosto de 1862 — Paris, 25 de Março de 1918) foi um músico e compositor francês. Para saber mais, clique aqui.


Hubble celebra 20º aniversário

Publicado por Regina Volpato em 26 abr 2010 | Sob: Corrente do Bem

Hubble celebra 20º aniversário
NASA e ESA constroem telescópio substituto


O telescópio mais famoso da história está há duas décadas em órbita. A 24 de Abril de 1990 foi colocado a bordo do Discovery, e hoje a NASA, antecipando a celebração apresenta novas imagens do céu obtidas por esta maquina cientifica única.

O Hubble permitiu descobertas deslumbrantes e trouxe imagens do Universo nunca antes vistas, que cativaram milhões de pessoas que nunca tinham pensado muito sobre astronomias. Além disto, o telescópio espacial, que necessita de reparações de custos elevados para melhora-lo ao longo dos anos, chega a este aniversario em plena forma, proporcionando informação cientifica de qualidade sobre o céu.

A determinação da idade do Universo em mais de 13 milhões de anos, as observações do cosmos profundo, em que se observou pela primeira vez galáxias de diferentes tipos e formas, muitas delas nos limites do cosmos visível, os ninhos de estrelas onde nascem novos astros, os planetas extrasolares ou os contornos de buracos negros são algumas das contribuições do Hubble para a ciência e o conhecimento geral.

O Universo em expansão

Mais próximo da Terra, o telescópio não perdeu um acontecimento único como os espectaculares choques dos fragmentos do cometa Shoemaker-Levy contra Júpiter, em 1994. Também foi este telescópio que descobriu que a expansão do Universo está a acelerar-se em que participaram milhares de astrónomos de todo o mundo.

Factos que certamente orgulhariam o astrónomo Edwin Hubble, que revolucionou a astronomia quando constatou que o Universo estava em expansão e em cuja honra se batizou o telescópio.
Continua

Página fonte: CiênciaHoje


Música no feriado

Publicado por Regina Volpato em 21 abr 2010 | Sob: Corrente do Bem

Teresa e a Torcida
Danilo Moraes e Ricardo Teté


E a comida?
Chegou de moto!

Publicado por Regina Volpato em 19 abr 2010 | Sob: Corrente do Bem


E a comida? Chegou de moto!
Por Adriana Lima


Segundo a Associação Brasileira de Motociclistas, 500 mil trabalhadores ganham a vida fazendo um importante movimento que, num passado recente, poderia ser definido como “da cozinha para copa”. Ou seja, milhares de motociclistas profissionais levam a comida saída do forno para quem deseja consumi-la. E não podem demorar fazendo isso. Os clientes – e o patrão – têm pressa.

A food delivery – ou em bom português “entrega de alimentos” – é apenas uma vertente de um grande negócio chamado food service ou “alimentação fora do lar”, que, de acordo com os dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), faturou R$ 38 bilhões somente no ano passado e reúne um milhão de estabelecimentos entre restaurantes, padarias, bares e lanchonetes, nos quais os brasileiros deixam 26% de tudo que gastam com alimentação. A previsão é que em 20 anos esse percentual chegue a 40%, patamar já atingido e ultrapassado pelos Estados Unidos e Europa.

O destaque do segmento é a demanda por alimentação rápida, a conhecida fast food. São coxinhas, arroz com feijão e carpaccios consumidos entre o término de uma reunião e a apresentação de um relatório. “As pessoas têm uma idéia equivocada de que fast food são hambúrgueres das grandes redes de lanchonetes. Se um estabelecimento oferece condições para que um cliente, em um tempo curto, entre, coma e saia satisfeito, ele pode ser considerado fast food ” esclarece Célio Salles, membro do Conselho de Administração da Abrasel.

Frequentemente as comidas de produção rápida são apontadas como vilãs patrocinadoras da obesidade, assim como das doenças a ela associadas. A médica Eliete Bouskela, chefe da Unidade de Pesquisa Clínica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), faz uma associação direta entre o comer rápido e a obesidade, posição defendida a partir dos resultados de uma pesquisa realizada junto a jovens com excesso de peso.

A médica esclarece que quem come rápido tem mais tendência a engordar, pois a velocidade da alimentação faz com que o estômago se dilate e se instaure o hábito de comer cada vez mais. Da mesma forma, o cérebro não registra a informação de que o organismo está saciado com aquela quantidade de alimento. Na pesquisa foi notado que, normalmente, as pessoas obesas comem com muito mais pressa. Além disso, Bouskela aponta a falta de oferta de comida balanceada nos estabelecimentos fast food.

Para a Abrasel a culpa da má alimentação não é dos fast foods ou da food service, como um todo. O problema está na cultura nacional de privilegiar alimentos pouco saudáveis, acredita o conselheiro Salles. “O nosso setor é rápido e reativo. Se existe uma demanda diferente, pode-se ter certeza que em dois meses será aberto um estabelecimento para atendê-la. Comida não se impõe, os clientes pedem o que querem e o estabelecimento se adapta”, afirma. “As pessoas pedem alimentos saudáveis mais no discurso do que na prática”, completa.
Continua

Página fonte: ComCiência – SBPC/Labjor – Revista Eletrônica de Jornalismo Científico


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Dia Do Índio


Em 1940, realizou-se no México o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Durante o evento, os participantes escolheram 19 de abril como o Dia do Índio. Três anos depois, a data foi oficializada no Brasil. Existem mais de 200 nações indígenas no país. Elas têm seu idioma, seu jeito de ver o mundo e de fazer festas. Algumas vivem isoladas, outras em grandes cidades e muitas lutam para preservar suas terras e suas tradições. A maioria dos povos indígenas vive nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. O Xingu, região da Amazônia, abriga o maior número de tribos indígenas do Brasil. Para saber mais, clique AQUI!

indio

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