Faz algum tempo que venho ensaiando escrever um texto, mas está muito difícil.
Não sei bem o porquê.
Ando profundamente triste com os fatos que passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Não é mau humor. Nem irritação. É aquele sentimento mais profundo, que está sempre ali, nos acompanhando, mesmo quando estamos às gargalhadas. É tristeza mesmo.
Fico um pouco constrangida quando leio alguns comentário no blog, de pessoas que nutrem esperanças e certezas de que ainda veremos valores morais e éticos pautarem nossas vidas. O constrangimento vem porque não sei mais até onde eu creio nisso tudo.
Mesmo sem esperança e triste, resolvi escrever porque tenho certo desprezo por quem pode fazer algo e nada faz. Como cidadã e jornalista, me sinto no dever de tentar fazer a minha parte. E, felizmente, ainda não perdi a capacidade de me indignar.
Em nome do emprego, da reputação, da boa educação, ou do politicamente correto, o que mais vejo é gente omissa. Seja por se recusar a ter opinião, ou pela opção em preservar o que para ela (e só para ela!) é valioso. O mais engraçado é que os francos, honestos, contundentes, com discernimento e coragem são apontados, desprezados e, muitas vezes, ridicularizados, como se estivessem errados.
Meu Deus do céu! Onde estamos?
Para viver em grupo tenho agora que fingir que não vejo?
Que não penso?
Ou preciso andar acompanhada de advogados para saber até onde posso me comprometer se disser algo?
O texto da Dra. Lucia Maria Paleari, Das mentes flexibilizadas (Ponto de bifurcação) , publicado neste blog em 23 de novembro de 2007, talvez explique melhor o que estou querendo dizer. Leiam, ou releiam. É excelente.

Impossível não acompanhar o Caso Isabella, por exemplo.
Não vou entrar no mérito de quem são os culpados ou não. Tenho certeza de que cada um tem sua opinião. Também estou segura de que o direito a um sono tranqüilo fica para quem pode e não para quem quer. O que observo é que essa história desperta muitos sentimentos ruins… Vontade de vingança. Revolta. Animosidades. Agressividade. Perversidade. Talvez sejam estes os grandes males que estas pessoas estejam nos fazendo.
Continuamos todos perplexos.
Nosso lado mais cruel vem à tona a cada novo flash na TV.
Um aspecto curioso, a meu ver, é que desde o dia em que o nosso governante maior disse que não sabia de nada, parece que a moda pegou… E veio para ficar. E está sendo usada por todos, em qualquer circunstância. Isso me faz lembrar uma poesia, também publicada aqui no blog: A implosão da mentira , escrita por Affonso Romano de Sant’Anna. Sugiro que leiam a poesia também.

Como disse, ainda não perdi a capacidade de me indignar.
Ainda acredito que possa dar alguma contribuição.
Mas me pergunto: vale a pena? Será? Será que vale a pena?

Quando me sinto assim, triste, confusa, procuro refúgio nas artes em geral. Ouço música. Cuido das minhas plantas. Assisto filmes. Recentemente assisti alguns filmes sensacionais que estão me ajudando muito nesse momento. À espera de um milagre, este foi presente de uma amiga aqui do blog. O filme aborda um pouco esta questão de como enfrentamos os desafios da vida, o que vamos priorizar: o emprego ou nossa consciência, por exemplo, e da dificuldade de suportar as crueldades do mundo.
Os outros dois foram Elza y Fred e Conversando com mamãe. Grandes lições de vida. A atriz principal desses dois últimos filmes, China Zorrilla , é encantadora! Ela me emociona muito.

Calada aqui no meu canto, pensando em tudo que temos vivido nesses últimos dias e me lembrando das maravilhosas lições que vi nesses filmes, sorrio timidamente diante da beleza e da magia que é a vida, e tenho de dizer: sim, vale a pena! Porque, afinal, a vida insiste em pulsar mais forte.